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sábado, 26 de julho de 2008

POSTAGEM NOVA, ASSUNTO ANTIGO

Há pouco tempo foi veiculada uma notícia de que alguns postos de corpo de bombeiros estão sem viaturas. Em outras ainda ouvimos que a gasolina para a polícia deveria ser racionada, ainda há pouco um hospital esteve por fechar as portas e sabe o que é que isto está nos passando? Normalidade.
Está virando rotina ouvirmos que o dinheiro do povo não é mais empregado para ele, ferindo o direito principal da constituição que diz: “o poder emana do povo e por ele será exercido”, o que vemos por aí é que o poder de fato emana do povo que é obrigado a votar e pelos banqueiros, políticos e sabe-se lá por que parte do poder econômico é exercido, menos para o povo.
Cabe salientar que este mínimo detalhe poderia destituir uma enorme gama de políticos, até mesmo presidentes e governadores que sugam a metade do que ganhamos e entregam rodovias para pedágios, sucateiam a polícia, pagam uma miséria para professores e gastam fortunas em propaganda para mostrarem seus serviços e assim serem reeleitos e não sofrem pressão das grandes emissoras de TV.
Então esta normalidade parece que não está só tomando conta do povo e sim da mídia que não mostra o que tem que mostrar, somente quando já se articula para partidos políticos e aí detonam com algum outro que poderá eleger muitas peças.
O filho menor de idade é assaltante, no entanto, na presença dos pais, quando preso, é liberado, porém, se o pai imediatamente puxar a orelha, é preso antes de sair da delegacia, isto também é normal.
Aumentam os preços de alimentação básica, transportes, pedágios e qualquer tipo de coisa que o povo tenha que se submeter, mesmo sem aumentar os salários, e isto também é normal.
Tem dinheiro na cueca, tem mensalão, tem sanguessuga, tem deputado corrupto, tem aumento de impostos, tem tarifaço, tem promiscuidade e cocaína no congresso, e isto também é normal.
Tem médico desistindo de trabalhar para o governo, filas quilométricas para se conseguir uma consulta, tem falta de medicamentos no SUS, tem gente morrendo por falta de atendimento e isto é normal.
Tem gente passando fome, falta de empregos, falta de universidades públicas, empresas contratando terceirizadas, uma verdadeira máfia de cooperativas trabalhando para empresas públicas, contratações temporárias e por estágio, burlando as leis trabalhistas e isto já está sendo normal.
Tem acidentes de trânsito por todos os lados enquanto os órgãos responsáveis só querem guinchar quem está com imposto atrasado, já que não deu seu quinhão para o governo, como se isto fosse causar algum acidente, e no entanto, na parte da noite e madrugada, quando os piores acidentes acontecem, a cidade fica sem fiscalização, e isto também é normal.
Até quando será que ficaremos nesta normalidade de obrigações de pagar, pagar e pagar, enquanto as pessoas que detém o poder nos tratam como seus criados, pisam em uma população já tão sofrida enquanto enriquecem. Que Deus nos proteja desta gente. Vote com atenção.

Jorge Acunha
publicado em: rádio minuano 28/11/2006

quarta-feira, 23 de julho de 2008

O QUE É MODA NÃO INCOMODA

Ao longo dos anos vamos incorporando em nossas vidas algo que chamamos de progresso, do lampião às mais modernas lâmpadas, da roda até um carro inteiro, do rádio de galena até a TV interativa e o mp3, do PX ao celular, o conforto vai chegando às nossas vidas de uma forma tão dinâmica e rápida que muitas coisas nós nem mais percebemos ou então ficam tão incorporadas em nosso cotidiano que nem percebemos a falta que pode nos fazer, enquanto estão presentes. Mas dentre estas coisas, também as características dos seres humanos vão mudando. Em algum tempo as mulheres eram tratadas como deusas ou, caso fosse vista um pedaço de uma canela de alguma, esta deveria ser uma safada, mais adiante, elas se engajaram ao progresso, queimaram os sutiãs, diminuíram as roupas e, hoje, poucas conseguem ficar com algum pedaço de pano sobre o corpo perante a internet.
Assim elas passaram a serem tratadas como um mero pedaço de carne que deve servir para o prazer, em alguns momentos da civilização os homens tinham tato, elegância, entre outras coisas até mesmo para dizer uma bobagem para elas na rua, hoje em dia são elas que atacam, ou pouco falta para isto, visto que, neste sistema de igualdade, o qual sempre foi exigido por elas, está cada vez mais desvalorizando toda a sensualidade que o homem tanto desejava no passado.
Nestes tempos atuais as coisas que eram tão valorizadas pelos homens vão ficando tão banais que agora as mulheres estão sendo associadas a frutas, quase sempre as com formas arredondadas, obviamente para lembrar as partes mais arredondadas das futuras mamães de muitas criancinhas, é melão, melancia, moranguinho, entre outras coisas que até mesmo as frutas teriam vergonha se soubessem para o que estão sendo lembradas.
O homem, então, perdeu toda a aspiração pelo casamento, junto com o desejo de algo proibido que sentia, já eu o que antes era escondido agora é mostrado com veemência e comprado com muito pouco dinheiro, mas quem será que fez isto?
Será culpa do homem que foi desvalorizando a mulher com o progresso, ou culpa da própria mulher que nesta luta por igualdade desceu alguns degraus e procurou desvalorizar o que era mais cobiçado por eles: a sensualidade, a qual progrediu para a sexualidade


Jorge Acunha

terça-feira, 22 de julho de 2008

FILME DE TERROR

FILME DE TERROR

Cada vez mais assistimos estarrecidos tragédias que ocorrem em função talvez do despreparo de alguns, ou simplesmente o medo faz com que os gatilhos sejam puxados aqui e ali. Agora mais uma criança foi cruelmente assassinada por policiais, desta vez no recife, os quais metralharam o carro da família que nada tinha de marginais no interior.
O fato é que pode-se notar que, em ambos casos, os automóveis possuíam filmes nos vidros, o que deixa o carro totalmente escuro para quem está do lado de fora, obviamente não enxergando quem ou o que está no interior.
Tudo bem que está na moda utilizar o filme, seja para moderar os raios ultra-violeta, ou para namorar pelas ruas, isto até pode ser compreensível, entretanto, os veículos de uma família normal, necessitam muito mais de outras coisas do que escurecer os vidros.
Em outros tempos, nossos adolescentes, tinham orgulho de dirigir os carros dos pais, depois, de vergonha, ou por algum outro motivo, começaram a maquiar os carros, tirando o nome e a marca do veículo, em seguida, talvez por conta do namoro, o filme virou outra prática nefasta que pode levar até mesmo à morte em alguns casos como estes ou até mesmo à sobrevivência, como nos casos das grandes capitais onde não enxergando o volume de dinheiro que existe no interior do veículo o bandido prefere não atacar, mas este é o mais raro dos casos, visto que eles preferem mais pelo valor do veículo do que pelo conteúdo.
Entramos então na era do filme, que pode transformar pais de família em suspeitos criminosos, que por mais ilibados que sejam, se estiverem com filmes nos vidros ou uma touca ninja poderá ter o mesmo efeito: idéia do amigo Dionatan, a touca ninja ainda pode prejudicar menos por ser um aparato individual, enquanto o veículo pode matar mais de um.
Havemos de admitir então que pode até ser um dos maiores males a polícia atacar cidadãos honestos como se fossem bandidos, poderíamos até classificar como um dos crimes mais hediondos do mundo, no entanto, estas pessoas que passaram por este tipo de situação irão pensar definitivamente nos benefícios que podem trazer filmes nos vidros dos carros.

Jorge Acunha

quarta-feira, 16 de julho de 2008

De Volta À Estrada

O dinamismo do mundo moderno, por mais paradoxal que seja, exclui muitos, mesmo sem intenção, foi então que seu Romeu, já beirando seus oitenta anos, resolveu comprar um carro.
Com os parcos recursos que possuia, conseguiu comprar um lindo fusquinha branco, o qual batizou de machão, já que alguns adoram mesmo botar nome em carro. Testou a viatura por duas semanas, lavando e guardando todos os dias sob uma capa que havia feito com uns cobertores velhos e do rendimento ele dizia a todos os amigos em conversa de bar: “anda que é um louco”, mas foi que em um determinado dia, ele resolveu fazer seu teste na estrada, já que um amigo apostou com ele que o veículo não andaria a mais de cem quilômetros por hora.
Chegando na faixa o “machão” rendeu muito mais do que o esperado e cada vez mais seu Romeu se empolgava até que, em um determinado momento, a guarda que fiscaliza a faixa lhe abordou. Um enorme de um policial, com óculos escuros, chegou até a porta do veículo e disse ao seu Romeu que deveria baixar o vidro, quando ele perguntou:
- o senhor tem certeza?
O guarda nem titubeou, somente gesticulando com a cabeça, com um gesto afirmativo. Aí começaram os problemas, quando seu Romeu abriu o vidro o cheiro indiscritível de um peido que ele tinha soltado há pouco transformou o aroma do ambiente em um verdadeiro esgoto a céu aberto. O guarda, por sua vez, virou-se com um pulo que mais parecia de academia militar e afastou-se, quando seu Romeu ligou o carro novamente. Neste momento, o guarda agarrou-se na porta do carro e já não sabia se o pior era agüentar o cheiro ou deixar o “elemento” fugir, prendendo a respiração tudo o que podia ele ordenou que seu Romeu desligasse o motor, mas isto não era muito fácil já que uma das mãos estava com os dedos indicador e polegar no nariz e a outra fazia um movimento anti-horário como se segurasse a chave do carro, enquanto seu Romeu já arrancava e ele aconpanhava pulando lateralmente, quando tropeçou e caiu, e aí sim ele ficou com raiva, procurando os óculos, que haviam caído e deu um sôco no capô do veículo o que fez com que o motor fosse definitivamente desligado. Nesta hora seu Romeu percebeu que a coisa estava ficando séria mesmo e desligou o carro, mesmo contra a vontade mas fechando novamente o vidro.
Após se recompor o guarda voltou e mandou novamente que ele abrisse o vidro, quando ele perguntou:
- o senhor tem certeza?
O guarda fez um gesto com o dedo indicador e o polegar bem próximos, que significa só um pouquinho e seu Romeu atendeu prontamente.
- sua carteira de habilitação e os documentos do veículo – ordenou o guarda
- pra quê? – perguntou seu Romeu
- é para fiscalização, o senhor por favor não complique mais do que já complicou.
- Quem? Eu não estou complicando, sai somente para testar meu carro novo e o senhor me proíbe de passar.
- Olha, meu senhor, mostre os documentos que eu lhe deixo ir, está bem?
Foi então que seu Romeu entregou-lhe os documentos, o que fez com que o guarda levasse um verdadeiro susto, quando disse:
- como é que o senhor está transitandocom estes documentos?
- Ué, o senhor não está vendo, com as duas mãos no volante como exige a lei – respondeu ele.
- Será que o senhor não entende, além deste veículo estar com dois anos de atraso no pagamento de impostos, a sua carteira de habilitação ainda é das antigas, faz mais de quinze anos que o senhor não presta exames nem renova.
- E o que é que tem isto? Será que eu me esqueci como é que se dirige por causa disto?
- Bom – diz o guarda – isto eu não posso lhe responder, até por que não estou aqui para discutir as leis e sim para fazer com que os motoristas as cumpram. E , neste caso, o senhor deve encostar seu veículo no pátio do posto de polícia e sem discussão, caso contrário nós mesmo iremos faze-lo.
- Mas e o estatuto do idoso? Será que o idoso não tem direito à nada? Será que sempre vamos ser humilhados e reprimidos?
- O senhor não está sendo humilhado ou sei lá o que, o senhor tem é que cumprir as leis tal qual qualquer condutor de veículo. Pra começar, o senhor deve procurar o Departamento de Trânsito assim que puder para colocar em dia tanto a sua habilitação quanto os documentos do veículo.
- O senhor já está debochando de mim né?
- Claro que não, mas por quê o senhor está dizendo isto?
- Ora, sargento, o senhor não assiste TV? Será que o senhor não está vendo toda a sacanagem que estão fazendo? O senhor acha que dá pra confiar em uma carteira de motorista que esta gente emite? Do jeito que as coisas estão, o senhor confiaria seu carro para eles cuidarem? E, mais, o senhor compraria um carro usado deste pessoal aí?
- O senhor me desculpe, mas eu não estou apto a discutir estes assuntos.
- Mas por quê? O senhor também está metido nisto?
- Olha... o senhor não falte com o respeito que eu não gostaria de ter que prender uma pessoa de idade como o senhor.
- Por quê? Para me multar e tomar meu carro que eu paguei, não pedi nada para o senhor ou quem quer que seja, eu sou igual aos outros, para o xilindró eu sou velho demais? O senhor sabe que isto é preconceito?
- Quem sabe o senhor não faz o que lhe mando quieto e eu não o prendo por desacato e desobediência à autoridade? Escuta bem, meu senhor, eu não tenho preconceito nenhum, só estou com pena de ter que lhe prender, é só isto.
- Pena o senhor vá ter da sua vó, cabo, eu é que tenho pena do senhor que estava aqui neste sol, enquanto eu almoçava tranquilamente tomando meu vinho.
- O quê? O senhor está bêbado?
- Que bêbado, que nada, eu só tomei um litrinho, como todos os dias, mas o senhor é preconceituoso sim e, pra mim, até veado o senhor é.
- A não, desta vez o senhor foi longe demais, eu não vou só lhe prendeu, eu vou é te dar uma surra aqui mesmo, velho arrogante.
- Viu só como o senhor é preconceituoso? Ficou todo brabinho porque eu sugeri que o senhor fosse gay, o que é que o senhor tem contra os gays? Agora o criminoso aqui é o senhor, eu vou processa-lo por preconceito e vou dar entrevista a todos os jornais dizendo que a polícia é preconceituosa e ofende os gays que passam por aqui, o enrustida, sai logo do armário.
- De uma vez por todas, agora o senhor vai ter o que quer, eu vou lá chamar o sargento, vou tirar ele do almoço e o senhor vai ver que a cobra vai fumar.
- Por que? Sua mãe não ta?
O guarda saiu na direção do posto espumando de raiva, quando entrou no posto foi direto a um reservado
onde o sargento almoçava e bateu na porta, quando ouviu lá de dentro em um tom bem forte:
- o que foi? Já não falei pra não me interromper no almoço?
- sargento, sou eu, o Oliveira, estou com um problemão aí fora.
- não vai me dizer que é a filha do deputado denovo?
- não senhor, é pior.
- entra aí e me conta.
- sargento, tem um velho aí fora com carro carteira e tudo que pode atrasado, ainda por cima me chamou de preconceituoso e veado.
- e tu deixaste por isto mesmo? Disse o sargento já se levantando de boca cheia, abotoando as calças, colocando a arma na cintura e pisando no chão como um elefante bravo, mas, ao chegarem na porta, o velho já tinha pego o carro e se mandado há muito tempo.

Jorge Acunha

O que Mudou?

As prisões de alguns poucos milionários que detém uma boa parcela do poder econômico no país estão ocupando um bom espaço na mídia, o que prova mais uma vez que alguns ainda tentam fazer algo contra impunidades de ricos, quando estes roubam dinheiro do povo.
Mas o que é roubar do povo? Será que o que eles pensam mesmo é que se o dinheiro dos contribuintes pertence a todos, e assim, ninguém pode se intitular dono e cuidar? Será mesmo isto democracia?
Nos tempos da ditadura ou as coisas não aconteciam com tanta volúpia, ou nós é que não sabíamos devido à pouca liberdade de imprensa, no entanto, o governo era o proprietário absoluto do dinheiro do povo, fazia o que bem entendia com o dinheiro, muitas obras, muitas empreiteiras e alguns ganhando muito enquanto muitos ganhavam pouco, no entanto, os impostos eram muito menores do que quase a metade do que recebemos como é hoje, que sustentamos uma máquina pública infestada de corrupção e corporativismo, sem poder tomar qualquer atitude, pois os conchavos vão tirando o poder do povo e colocando na mão de poucos políticos influentes. Será que alguma coisa mudou? Hoje ainda roubam muito mais e a diferença é que todo mundo sabe, ou seja, não adianta o sistema de governo que eles sempre dão um jeitinho de ferrar o povo.
Pois o senhor Naji Nahas, há alguns anos foi o precursor de um dos maiores, senão o maior golpe que a bolsa de valores já viu. Algemaram ele e quando se pensava que ele estava por aí, gozando a vida com os “seus” bilhões, está novamente algemado, pois além de continuar trabalhando com o mercado financeiro, ainda está envolvido com dinheiro público.
Se é um pobre que passa um cheque sem fundos, pode até mesmo passar anos na prisão, além de ter seu crédito cortado absolutamente pelo SERASA, como o homem tem muito dinheiro, pode fazer o que bem entender que até mesmo o judiciário entrou em conflito por estes coitados que a mídia está mostrando.
Cada dia mais parece que vivemos para sustentar banqueiros e o tal mercado financeiro que só vende “papéis” uns para os outros, além de alardear que o preço dos alimentos tem que subir, já que os norte americanos resolveram transformar os grãos deles em combustível. E, enquanto esta verdadeira guerra de poderes continuar, ninguém sabe quem de fato manda e todos consomem metade do que o povo recebe e pouco fazem para retribuir isto.
Se hoje em dia chegasse aqui um ser de um outro planeta e tentássemos explicar para ele que pagamos tanto assim para termos uma sociedade civil organizada, ele nunca mais pisaria neste planeta, até por que iriam tentar guinchar a nave dele, pois para isto existe muita polícia.

Jorge Acunha

terça-feira, 15 de julho de 2008

Coisas Boas

Já dizia o grande roqueiro, Léo Jaime, que é jornalista por formação: “os melhores momentos do mundo não são manchetes de jornal” e de fato ele está extremamente certo, já que a maior parte das manchetes referem-se a perda, tanto em termos financeiros como em caráter de algumas autoridades, ou a crimes, por isto, vamos hoje então explorar o que de bom acontece e as vitórias que vamos obtendo através dos tempos.
Começaremos então pelo que conquistamos há muito, como não daria tempo para citar tudo, vamos nos ater a algumas coisas que mais se destacam. Um brasileiro inventou o avião, o meio de transporte mais importante de nossa época, é bem verdade que pouco tempo depois alguns outros transformaram em arma de guerra e invés de matarem alguns começaram a matar milhares, o que não era o objetivo do aparelho, sem dúvida. Agora, o céu está tão lotado de aeronaves que até mesmo enormes congestionamentos existem, quando os usuários gastam, em viagens curtas, mais tempo esperando para embarcar do que levaria o trajeto de automóvel.
Devemos também lembrar o automóvel, uma das maiores invenções depois da lâmpada e hoje em dia o conforto no interior deles faz com que muitos queiram estar em seu interior por horas, é bem verdade que agora morrem mais pessoas no trânsito que em muitas guerras e que nosso oxigênio, assim como a camada de ozônio, estão sendo sugados pela emissão de gases destes veículos, sem contar o avanço das motocicletas, das quais nem é preciso falar os males que estão causando.

O homem inventou então o telefone, meio de comunicação indispensável para todos, pois o que seria de nós se não existisse hoje o celular? É bem verdade que hoje em dia é utilizado em comunicação nos presídios, de onde eles conseguem até mesmo parar uma cidade como São Paulo, além de servir para tráfico e golpes de todos os tipos.

Com o passar do tempo veio o computador portátil e ninguém duvida que os benefícios para a humanidade foram e estão sendo até hoje, descomunais, com ele veio a internet, também fabulosa, quando podemos estar com qualquer pessoa em qualquer parte do mundo, além do acesso a qualquer tipo de informação em qualquer parte da terra, o que é fantástico, é bem verdade que são crescentes os golpes pela internet e a pornografia infantil, o que é uma lástima.

Conseguimos ainda sermos felizes com nosso esporte, com atletas fascinantes como Pelé, Guga, sem contar inúmeros outros do futebol, vôlei, entre outros, a Daiane, tão pequenininha mas a maior do mundo e agora o Pam é no Brasil, é bem verdade que nas administrações não dá para confiar já que coisas de outro mundo acontecem lá no Rio, inclusive com o governo federal enviando um bilhão somente este ano para a estrutura do evento, que possui obras faraônicas, sabe-se lá o que mais não vai surgir depois.

Com a invenção da urna eletrônica, mostramos ao mundo como uma eleição democrática pode ser feita com lisura e rapidez, sem aquele amontoado de gente contando votos de papel por dias, é bem verdade que o que eles fazem dos mandatos depois não convém falar.

As casas ficam cada vez mais confortáveis, no entanto, são necessários alarmes, grades e guardas de rua para cuidá-las, os automóveis seguem o mesmo padrão, blindados ou com vidros escuros, com os motoristas quase tendo um infarto quando alguém se aproxima da janela à noite.

Ainda temos que salientar que a única casa de loterias, a caixa, que se julgava acima de qualquer suspeita e o único jogo que não é de azar no país, vai para uma CPI, por suspeita de lavagem de dinheiro.

E as coisas boas?

Estão todas aí, o homem é que consegue fazer delas coisas ruins.

Jorge Acunha
Publicado em: Rádio Minuano: 03/03/2007

Tire da boca de seu filho e dê para o governo. Vale a Pena

Há pouco tempo, observamos estarrecidos as reportagens sobre escutas telefônicas em presídios que denunciam os mais diversos mercantilismos no interior das casas penais, desde drogas e armas até prostituição podem ser negociados livremente no interior dos presídios por via de telefone celular. Alguns dizem que isto é uma benéficie, já que alguns crimes são impedidos pela polícia quando detectados, entretanto, e os que não são? E os apenados que se valem dos telefones para falar livremente com qualquer pessoa sem deliberadamente falar em crimes. E mais, será que eles não sabem que os telefones podem ser monitorados?

Em outros tempos, vigiavam os apenados para que não fugissem, hoje já não é necessário, visto que, pelo que está se notando, nenhum mais pensa em fugir já que mesmo de dentro dos presídios eles controlam quadrilhas e até mesmo encomendam prostitutas para satisfazerem-se nas penitenciárias dos deleites da carne, já que os coitados também são filhos de Deus e exigem também seus direitos à diversão.

Não contentes somente com isto, planejam compras de veículos roubados, próximas ações das quadrilhas e encomendam as drogas que necessitam para traficar no meio, assim sendo, tanto o governo, responsável direto pelo cárcere, quanto os direitos humanos, poderão considerar-se satisfeitos com a recuperação das pessoas que cometem crimes, sejam elas réus primários, que na maior parte das vezes recebem penas alternativas, ou os rotulados como: estuprador fulano de tal, assaltante de bancos tal, ou homicida das quantas, entre outros que nem é bom citar pois levaria o dia inteiro, no entanto, nossas autoridades ainda acreditam que criminosos contumazes, desta natureza, mesmo que cometendo crimes diários quando em liberdade, merecem respeito, dedicação e gastos públicos fantásticos, já que podem se reintegrar à sociedade, sendo novamente cidadãos honestos, enquanto isto não acontece, o povo que se vire ou se tranque sob o auxílio de grades, alarmes e segurança particular, já que a pública está um caos.

Assim vamos vendo nosso sistema prisional merecendo mais atenção do que os cidadãos honestos, fazendo de nossas vidas um temor e o respeito sendo desmoralizado pelo poder público, enquanto gastam 200 mil reais em viagens com o Beira-mar e a polícia tem que poupar combustível, além de alguns deputados chegarem a gastar 10 mil reais em gasolina em um mês no qual estão de férias.

Querem mais paradoxos? Quase todos os deputados envolvidos com escândalos estarão de volta nas próximas eleições e quem falou alguma coisa de ruim contra eles, o que poderíamos até intitular verdades, poderão até serem processados. Enquanto o uso de celular em presídios dá somente uma repreensão, se um contribuinte não pagar o IPVA, o governo toma o veículo dele, ou seja, só quem é punido nesta democracia com cheiro de ditadura é o contribuinte, os delinqüentes fazem o que bem entendem, nas barbas de todos e nada acontece. Chegamos a um ponto de pensar que até mesmo os marginais têm mais direitos que o cidadão honesto, o qual só serve para sustentar corrupção, desmandos e um montão de mentiras que virão daqui a pouco nos horários eleitorais. Dizem que é louco quem rasga dinheiro, e quem paga impostos em dia o que é?


Jorge Acunha
publicado em: Rádio Minuano 22/07/2006

terça-feira, 8 de julho de 2008

Motoristas ou Terroristas?

Ao longo dos tempos o homem aproveitou muito bem sua capacidade de raciocínio e desenvolveu todo tipo de invenções possíveis, umas para conforto, outras nem tanto e muitas que matam, tanto no varejo como no atacado. Assim surgiu o automóvel e logo em seguida os políticos resolveram cobrar pela utilização deles nas ruas.
Assim, quem hoje em dia possui um veículo tem também um sócio, que é o governo, o qual toma seu quinhão ou então o veículo, como se dele fosse, mesmo que nada tenha feito para ajudar a pagar, ou seja, é um sócio proprietário que com nada contribui na aquisição do produto, no entanto tem todo o direito de gerenciar e de receber lucros, tanto na compra quanto no uso, é o melhor negócio do mundo, enquanto o povo se rala trabalhando para comprar e abastecer um veículo, o governo senta a bunda em uma cadeira e leva lucros, mas, isto nós já estamos acostumados e , em nome de nossa própria segurança o .gov nos cobra quinhões mais caros ainda, por exemplo, inventaram um tal kit de segurança, o qual muito poucos sabiam usar e o os que não sabiam tinham o direito de se acharem verdadeiros médicos do trânsito, mesmo assim, a multa era cobrada de quem não possuía o tal kit médico e, quando perceberam o “tiro no pé” que estavam dando, milhões de motorista já tinham comprado o tal kit e meia-dúzia enchido os bolsos. “Negócio da china” . Somente um “Serial Killer” que apareceu na praia do cassino há alguns anos é que encontrou uma utilidade para o kit, ele usava as luvas de borracha para ocultar suas digitais.
Sob o pretexto de segurança, também nos cobram se não tivermos extintor de incêndio em dia, o que também a maioria não sabe usar, mas recebe uma pseudo-autoridade de bombeiro, ou paga a multa. Tem ainda o pretexto do cinto de segurança, que é para a nossa segurança, mas se não quisermos, haveremos de pagar ao governo. Assim sendo, se a segurança fosse o primordial, ao entrarmos no mar, sem um colete salva-vidas, deveríamos ser multados, ou quem é que acha que dirigir sem cinto é menos seguro do que nadar no mar sem coletes salva-vidas, no entanto, é óbvio que multar pessoas é muito mais difícil que automóveis, ou motoristas meliantes, assim sendo, é melhor não “cutucar a onça com vara curta”.
Aí também entram outras coisas, como chave de roda e estepe, que se nós não tivermos, nos estrepamos duas vezes, uma se furar um pneu e outra que a multa também come.
O “ negócio da multa” é interessante mesmo, quanto mais cara é a multa, mais vezes é aplicada. Quer a prova? Antes da “Lei Seca” não apareciam tantos bêbados, com o valor obsceno da multa chovem bêbados no trânsito, uma lei contraditória e arrecadatória, já que ao invés de darem cadeia progressiva, tantos dias quanto for o consumo da “marvada“ pelo motorista, cobram uma fortuna de multa e outra de fiança e, o que tem dinheiro, mesmo que tenha consumido um alambique não passa uma só noite na cadeia, enquanto quem não tem, com uma latinha de cerveja pode passar dias vendo o sol nascer quadrado .
E, se existisse lei neste país que não rendesse algum dinheiro para o governo e vigorasse, as leis de trânsito seriam também cumpridas por pedestres, os quais fazem o que bem entendem, já que ninguém tem placa no rabo e, se forem atropelados, quem responde processo é o motorista, mesmo que tal pedestre esteja bêbado e o motorista sóbrio.
Definimos então, que nesta “democracia”, quase metade do que a gente ganha é pagamento para o governo que faz o que bem quer com o dinheiro, independente do que o povo precisa, somente usando hipocrisias como é o costume na colônia. Uma última pergunta: entrar no mar para nadar bêbado, dá cadeia?

Jorge Acunha

sábado, 5 de julho de 2008

O Consumismo da Violência

A cada dia estamos observando, pasmos, as direção que nossos irmãos vão tomando em suas vidas e os parâmetros que regem todo tipo de comportamento humano ou desumano, como em alguns casos que seria melhor se fossem esquecidos como o do médico que esquartejou a amante ou os pais que tentaram livrar-se dos filhos da maneira mais indigesta possível e, além disto, ainda tem em nosso próprio quintal, vizinha que mata por briga de criança, filho que mata, mãe que atira violentamente o filho no oceano entre muitos outros incidentes que custamos a acreditar possíveis.
Entretanto, se lamentamos por um lado, por outro o progresso alimenta o processo de anti-socialização mórbido ao qual a humanidade vem se submetendo. As redes de TV, na mais pura prova de ganância desenfreada, alimentam as mentes de nossas crianças tanto de cultura quanto de egoísmo e imoralidade.
Enquanto de um lado vemos pseudomúsicos tentando promover-se esfregando-se uns nos outros dentro de uma banheira atrás de um sabonete, de outro o líbido também é a bola da vez, com vários casais presos em uma casa e tendo que se submeter a todo tipo de humilhação do próprio corpo atrás de dinheiro e fama.
Infelizmente é muito difícil saber o que prevê o script de um programa destes, no entanto, é algo que aguça principalmente a curiosidade das crianças e adolescentes, que faz com que eles tenham a impressão tácita de que a vida é um eterno bacanal onde um para sobreviver tem que tirar o outro do caminho, expulsar do ambiente nefasto ao qual se submetem os participantes que, diga-se de passagem, parecem gostar, e como se fosse pouco, instigam os telespectadores (na maior parte adolescentes) a participar do escárnio e serem cúmplices no julgamento e condenação de algum participante a sair da festa e cada vez que acontece isto, mais um ser é corrompido quando compelido a submeter outro que ele nem conhece ao fim da infeliz jornada a qual se propôs, ou seja, nossas crianças também participam ferrando alguém em alguma coisa que nem sabem o que é.
Mas não seria hipocrisia dizer que o que se passa na tal casa não existe? Seria tanto quanto dizer que o que acontece nos motéis diariamente é mentira ou que não existe sexo entre papai e mamãe; entretanto, estas outras coisas até agora as pessoas normais ainda reservavam entre quatro paredes, pois é extremamente desnecessário mostrar para as crianças ou para os vizinhos ou amigos. Isto aguça a curiosidade e o que há bem pouco tempo era mostrado somente quando chegava a hora, hoje a TV promove para qualquer criança que fica em casa imaginando o que é que um bando de idiotas faz embaixo de um edredom depois de passar o dia todo se esfregando uns nos outros, É no mínimo imoral e contribui para a perda do tirocínio dos jovens, assim como para o egoísmo e, principalmente, para a violência contra o próximo. Transforma-os de tal forma que a vontade de ver alguém sair é muito maior do que a de ver alguém se dar bem, pois não existe a pergunta: quem quer que todos fiquem?
E para concluir, o Ministério da Saúde adverte: a propaganda de cigarros está proibida, menos neste tipo de programa.

Jorge Acunha
Publicado em: Jornal Agora 15/02/2003

quinta-feira, 3 de julho de 2008

O que é normal?

Desde que a humanidade começou a estudar a psicologia dos seres, uma das maiores curiosidades é sobre o que será o normal. Os maiores escritores do planeta debatem este tema constantemente e os brasileiros agora estão caminhando para a normalidade, no entanto, os outros países podem até ficar pasmos perante à esta tal normalidade.
Em São Paulo, a normalidade nestes tempos é a luta pelo poder entre o governo e o PCC, que insiste em mandar no estado, governando de dentro dos próprios presídios, sustentados pelo povo que eles eliminam, pelas empresas que eles queimam os ônibus, entre outras que assaltam, matam e fazem o que bem entendem.
Subindo mais um pouquinho chegamos à Brasília onde a normalidade são os golpes, por vezes pequenos, outros grandes, alguns milionários, mas não estamos aqui para discutir a proporção dos roubos, já que os rendimentos saem de nossos bolsos e para eles jamais voltarão, diga-se de passagem, esta normalidade também já é milionária, já que cada vez que surge um escândalo, fala-se em milhares de reais como se fossem trocados.
Lá também tem a normalidade da campanha. Começa a campanha política, pára tudo, nossas autoridades, as quais os militares devem continência e o povo gostaria de ver atrás das grades, que pouco já estavam fazendo, em tempos de campanha dedicam-se gentilmente a não ir mais ao congresso sob este argumento e o pior é que ainda dizem que trabalham muito.
Têm também a normalidade das CPI’S. Todo dia surge uma nova e a normalidade delas é não punir, além de denunciar muitos para mais desgosto ainda dos contribuintes, que ficam perplexos quando vêem estes muitos serem inocentados sob danças, entre outras comemorações que nem convêm mencionar.
Sob os auspícios deles está o país, e a maior parte das coisas que acontece em nossas vidas, como o que vale o nosso dinheiro, tão suado e tão escasso, do qual quase a metade vai para sustentar toda esta corrupção e uma máquina pública que já provou ser cada vez mais inócua para o povo.
Mas vamos subir mais e lembrar da normalidade de Rondônia, onde, ultimamente é prender autoridades corruptas, parece que alguém acordou por lá e, aproveitando o momento, resolveu colocar o lixo para fora, sabe-se lá por quê e em breve a corrupção também vai ser normal, quando se pensa que se um tem o direito de roubar, os outros também.
Assim temos a normalidade também de pagar para andar nas estradas, a de ver hospitais pedindo ajuda financeira para o povo, enquanto o estado é que deveria suprir estas necessidades, a normalidade de se esperar meses por atendimento médico especializado, a normalidade de ver os preços subir mesmo que os salários não subam, a normalidade da violência, de não sair à noite para não ter o carro roubado ou a própria integridade física atingida, além da normalidade de câmeras que irão nos monitorar 24 horas por dia, a normalidade do governo ser dono do trânsito e dos veículos que nele trafegam se não lhe pagarem para isto, além da normalidade de termos nossos veículos literalmente destruídos pelos buracos das ruas e estradas e ainda corrermos o risco de sermos multados por isto, a normalidade de vermos a segurança pública poupando gasolina enquanto os deputados gastam milhares de reais com locomoção própria, até mesmo nas férias e a normalidade dos pobres serem presos e os ricos ficarem impunes, mesmo que roubem milhões.Assim somos obrigados a citar um adágio popular que diz: “o hábito do cachimbo é que deixa a boca torta”, lembrando que se formos considerar nossa normalidade, chega a ser bizarra nossa atual sobrevivência diante de tudo que acontece em nosso cotidiano e que nossas próprias autoridades é que estão dando exemplo de criminalidade e impunidade.

Jorge Acunha
Publicado em: Rádio Minuano 12/08/2006

E os outros?

Neste mundo tão corrido algumas coisas vão passando despercebidas e pouco sabemos sobre o destino delas. Salientamos então que nosso cotidiano vem sendo afetado enquanto vamos acatando e sendo vítimas de uma nova era a qual, paulatinamente, vem impondo novas maneiras de convivência entre os seres humanos que logo após vão se dando conta de tudo que vão perdendo.
Perdemos então, a elegância, que dia a dia vai se esvaindo, se escondendo sabe-se lá onde e as relações vão ficando mais rígidas, mais objetivas, é bem verdade, e o corre-corre atrás da sobrevivência desfigura as pessoas, faz com que tudo o que deveríamos estar passando para nossas futuras gerações em termos de elegância seja relegado a um segundo, ou terceiro plano até e nossos jovens vão perdendo cada vez mais uma convivência saudável para logo mais lamentarem por tudo o que perderam.
Em outros tempos, até mesmo os marginais eram mais elegantes, ladrões, assaltantes, e muitos outros proporcionavam para a vítima um certo conforto quando era abordada. Hoje em dia eles primeiro atiram para depois avisar que trata-se de um crime.
Se formos analisar de onde vem saindo tudo isto, podemos nos qualificar como os maiores precursores de tudo isto, quando vemos a ética profissional e política ser deliberadamente enterrada, ou simplesmente corroída e ficamos pasmos perante a tudo o que acontece, a todos os exemplos que nossos jovens admiram de nossos líderes, das autoridades da nação.
Escândalos vão acontecendo dia após dia sem que os verdadeiros culpados sejam punidos e em nosso entorno as coisas vão cheirando mal, o exemplo é cada vez mais nefasto, assim cruzamos os braços e vamos tratando de nossas vidas, aceitando todas estas intempéries até que seja a normalidade das coisas, até que o bizarro seja o certo, o que convém a nossa sociedade detentora do poder econômico nos transforme em verdadeiros acéfalos ou irracionais que pouco fazem para a melhor convivência entre os seres que se julgam racionais.
Estamos em um momento que povos atacam povos impunemente, até mesmo por motivos religiosos, a marginália ataca a polícia, que sabe até mesmo que está dentro dos próprios presídios o comando, que tem até nome, como se fosse partido político, que políticos compram votos de outros para aprovar ou rejeitar leis, que temos um congresso de bonecos, que mesmo que votem em algo que o governo não gostou ele veta e pronto.
Estamos chegando a um ponto que a normalidade é uma coisa bem oposta à ética à elegância e ao convívio social adequado à qualquer povo, onde até mesmo a sensualidade deu adeus à nossas vidas e o sexo se transformou em uma coisa banal. Até mesmo os homens que em outros tempos sofriam para ver uma simples canela, hoje correm da igualdade que as mulheres sempre procuraram.
Será que voltaremos a sermos civilizados algum dia?
Jorge Acunha
Publicado em: Rádio Minuano 05/08/2006

terça-feira, 24 de junho de 2008

Prioridades

Pois há muito se admite que o problema da lei está no poder da autoridade da esquina e, cada vez mais, somos testemunhas de que estamos sujeitos a todos os tipos de autoridades organizando nossas vidas, seja no trânsito, em nossa conduta social ou em um plano muito maior em nossas vidas que é o plano ambiental.
Com o transbordamento da paciência dos executivos estadual e federal com órgãos como o IBAMA e a FEPAM, percebemos o que está sendo feito com nosso dinheiro nestes órgãos, já que nem o chefe agüenta a arrogância dos funcionários, mas isto é comum no serviço público estatutário e neste ponto é que podemos analisar a terceirização, os contratos temporários e os cargos comissionados como um avanço do sistema legal de admissão de funcionários.
Enquanto o governo manda somente nestes, já que os outros são amparados pela legislação, eles têm que andar na linha, senão o trem pega, como estamos vendo, no entanto, nem todos têm a obrigação de seguir ordens, somente alguns que não possuem uma tal estabilidade, a qual impede que sejam demitidos.
Lembramos então do período da ditadura militar, do regime que seguem os militares e aí perguntamos: não seria melhor para os nossos bolsos e para o desenvolvimento do país a ditadura militar, já que o governo civil admite que não consegue conter certos ímpetos de determinadas autoridades? Seja, ou não, podemos afirmar que em qualquer regime militar isto não acontece.
Enquanto uma empresa privada oferece projetos para alguma coisa, eles levam anos analisando, como se a empresa que ofereceu o projeto merecesse tal tipo de atitude, sem calcular o quanto estas empresas pagam de impostos para obter o resultado, isto quando não é negativo, visto que o sapinho tal, ou a mosquinha tal, ou o passarinho tal podem ser prejudicados em sua evolução.
Aí devemos pensar que nos casos, os quais estão ocorrendo a morte de toneladas de peixes, em vários pontos do país, estas estatais não estão sendo indicadas como negligentes no que diz respeito à fiscalização, que, sem dúvida nenhuma é falha, como temos a prova cabal.
Em alguns lugares, isto se chama “pregar moral de cuecas”, já que enquanto a natureza é arrasada por falta de fiscalização, empresas são punidas por incompetência das mesmas autoridades.
Ambos órgãos já estão sendo vistos como uma espécie de vestibular para as indústrias, que serve para eliminar e não para administrar e mostrar os erros em tempo hábil para que se instalem sem os prejuízos faraônicos que sofrem por conta de uma pseudo fiscalização que é inexistente.
Então fica muito mais fácil cancelar um projeto do que ter que fiscalizá-lo depois, o que é muito mais simples e não dá trabalho, talvez até mesmo um lema dos servidores.Mas e o meio ambiente? Como é que fica em tudo isto? Que tem que ser observado, tem, no entanto, parece que, para esta classe ainda perceber que o dinheiro que os sustenta vêm deste povo que está sendo prejudicado diariamente, falta humildade ou vontade de trabalhar mesmo.

Jorge Acunha
Publicado em: Rádio Minuano 05/05/2007

O que será de nossos descendentes?

Parece que o homem quanto mais vive, menos aprende a apreciar tudo o que constrói e quando iria desfrutar do próprio conforto, por um motivo ou outro, sejam pessoais, ou simplesmente ganância, vai modificando tudo e, em alguns casos estas mentes transformam toda nossa convivência, absurdamente, mesmo que isto também custe a liberdade ou convivência deles.
Não é de hoje que isto acontece. Desde que o homem inventou a pólvora, transformou-se em mais uma maneira de matar seu semelhante, inventou o avião e daí mais uma arma de guerra que mata em massa, inventou o telefone e agora os golpes se multiplicam cada vez mais, até mesmo de dentro dos presídios, inventou a TV e logo em seguida conseguiu banalizar com pornografia, inventou a política e logo em seguida várias formas de usá-la para roubar, inventou um conjunto de leis no qual os ricos e políticos sempre encontram uma forma de burlar, inventou a elegância e como não ensinou a seus filhos, hoje chamam as mulheres de cachorras, e o pior, elas gostam, inventou a biologia e com ela a guerra bacteriológica, que cria vírus novos todos os dias, inclusive alguns que até hoje não têm cura.
Logo depois o homem inventou o computador, criação magnífica, diga-se de passagem, com ele veio o advento da internet e, como os jovens têm acesso livre, são as principais vítimas, tanto de pornografia infantil quanto de aliciamento para racismos e preconceitos, dos quais eles não fazem a menor idéia por que compartilham. Além disto, ainda têm alguns infelizes que levam alguns milhares de horas criando vírus, futilmente, sabe-se lá por qual motivo, vai ver eles não viram nenhuma virtude na mãe ou no pai.
Parece que estamos fadados a suportar coisas de alguns que fazem milhões sofrerem, assim como nos dizemos racionais, somos capazes de nos matarmos uns aos outros até mesmo por motivos fúteis, coisa que os irracionais não fazem, como este mesmo homem descobriu que podia falar, resolve também falar mal dos outros, mesmo sem ter por que, fica com inveja de seus irmãos mesmo que seja por uma bala que este tenha ganho, confunde, pilha, briga, trata outros com arrogância e prepotência mesmo sem motivo. Mesmo assim, muitos ainda sabem o caminho da generosidade e do apreço por seus irmãos e, sem dúvida nenhuma, estes vivem mais e mais felizes.
As coisas que devem ser elucidadas, como muitas caixas pretas que vemos por aí, dão espaço para outras que não nos levam a nada, somente para os que estão envolvidos com falcatruas, que aproveitam para incentivar estas outras e sumirem.
Até quando o mundo irá suportar este tipo de gente que faz guerras, intrigas, leva à morte milhões de pessoas por ambição, ensina isto para seus filhos e nada acontece com eles, os prejudicados sempre são os mais fracos?
Até quando nossas sociedades serão submissas ao poder econômico, mesmo que tenham que ver milhares sofrerem ou passarem fome e ficar de boca calada?
Não estará no momento de repensarmos o que de fato queremos para nossas próximas gerações?

Jorge Acunha
Publicado em: Rádio Minuano 02/09/2006

Nossos Valores

Estamos vivendo em um mundo de fisiculturismo, isto não é nenhuma novidade, no entanto, sabemos também que algumas partes de nossos corpos não respondem como gostaríamos a este tipo de tratamento, como o rosto e o cérebro que em rugas e QI ninguém resolve em academia.Milhares de pessoas vão então para academias, fazem ginástica por horas a fio e logo após saem de lá cisudas, rancorosas, amargas ou com inveja de outras o que faz com que tudo o que conseguiram suando, reflita amargamente em seus rostos, já todos sabem que o melhor exercício para o rosto é o sorriso, o qual só faz bem para a pele.Aí entra o caso do cérebro, já que muitos também colocam todos os seus esforços para tratar do corpo e nem um pequeno gibi lêem e, enquanto crescem os músculos, diminuem suas capacidades de raciocinar.Aí, no caso do rosto, ainda existem muitas alternativas, obviamente caras e dolorosas, no entanto muitos ainda se submetem seja este de que forma for, alguns até mesmo correndo risco de jamais se reabilitarem e ficam mais feios do que antes do tratamento, estes quando poupam no valor, ou por não ter mesmo condições financeiras para arcar com despesas que seriam necessárias para algo de qualidade. Como evitar então o envelhecimento do rosto? Não há forma, todos envelhecem, no entanto, existe um jeito de ter um melhor futuro para ele, sorria, é a única maneira de ter a pele cada vez mais bonita.Ficamos assim por conta de outro órgão, muito mais importante, tão importante que define nosso atestado de óbito, que é o cérebro, seja ele grande ou pequeno, capaz ou incapaz, ninguém pode chamar de bonito, tanto que todos preferem dizer que as emoções vem do coração e não de uma coisa tão feia e cinzenta.O fato é que somente o amadurecimento nos mostra a realidade das coisas e então só lá é que vamos saber que não seremos mais agradáveis por estarmos com nossos corpos mais sarados, como é palavra da moda. Enquanto alguns ainda sonham com o corpo perfeito, esquecem dos relacionamentos interpessoais ou de que ser gente não é somente tratar de si mesmo, mas também de seus semelhantes, senão ficamos obtusos ou simplesmente trancados em um buraco fundo sozinhos, olhando em um espelho o que conseguimos pois ninguém gostará de nos elogiar.Ficamos pasmos ao perceber que nossos jovens querem criar um mundo BBB próprio, no qual só pode entrar quem tem um corpo bonito, mesmo com pensamento limitado e que a eleição deles não é para produzir algo e sim para expulsar alguém deste mundo. Como será o mundo daqui a vinte anos se pegar esta moda?
Jorge Acunha
Publicado em: Rádio Minuano 03/02/2007

domingo, 22 de junho de 2008

AVAREZA

Depois que privatizaram as estradas, surgiram os pedágios, bem feitos, arquitetura pós-moderna, banheiros e tudo, e com eles uma série de empregos, pois, exemplarmente, trabalham 24 horas por dia, entretanto, como todos temos direito a descanso, os funcionários só trabalham 12 e com ótimo salário, dizem que passa de cento e oitenta reais, mais um pouco já daria para a cesta básica, me relatava um amigo que lá trabalhava, o Paulo, sujeito incrível aquele, possuía um apelido que muito lhe vinha a calhar, por certo não gostava, achava-se humilhado quando o chamavam de catarro, daí ele brigava, "partia para o pau", mas aquelas banhas caídas, aquele tremendo barrigão e aquela maneira de falar cuspindo todo mundo espelhavam o pseudônimo. Até que ele não parecia aquele muco grosso e seco de fumante pela manhã, aquele que parece um pudim, parecia mais aquele de gripe no final, aguado, com mais saliva que massa. Só que o homem se estourava mesmo, uma vez estava em um boteco, escorado no balcão arrumando o cabelo, porque ele usava aquele rabinho de cavalo, preso por uma borrachinha, o pessoal falava que não sabia como é que a borracha prendia naquele óleo todo, mas entrou no boteco um conhecido dele e gritou:
E daí, catarro, tudo bem?
Ele procurou mostrar ao amigo que não gostava de assim ser chamado:
Catarro é a p. q. p.
O homem não gostou e travaram um combate corpo a corpo. Da briga o catarro (perdão, Paulo), passou uma semana com o olho roxo e a perna enfaixada, dizem que depois deste incidente ele ficou mais calmo.
Mas o ca..., Paulo não gostava de fazer exercício sob hipótese alguma, passava o dia inteiro com aquele bundão, que mais parecia um balão de São João meio murcho, colado na cadeira e não levantava nem para arrumar troco, mandava pegar na volta, os que não pegavam, ele embolsava. Uma vez um cunhado dele, o qual ele visitava todo Domingo para almoçar, deu-lhe cinco reais para descontar um, ele disse que não tinha troco e ficou com os cinco. Outro dia parou um fusquinha, destes que andam por aí se arrastando, e ele não tinha troco mesmo, fazendo com que o motorista descesse do carro para arrumar no guinche. Nisto, o carro apagou, o motorista voltou correndo e disse, desiludido:
hiii, não tem bateria, vai ter que empurrar.
Como uma enorme fila começava a se formar atrás e o Paulo já estava meio nervoso, disse ao homem, com muita calma:
Ô, meu, tira esta porcaria daí!
Opa, porcaria não – interpelou o homem.
Tá bom – acalmou-se o Paulo afim de evitar tumulto - mas tira este veículo daí, por favor.
Então vem aqui e me ajuda – disse o motorista.
Não posso – disse o catarro – o médico me proibiu de fazer força.
E como a fila aumentava, alguns já buzinavam, o homem resolveu empurrar sozinho o carro, em vão, a força não foi suficiente, o motorista que vinha atrás fingia não ver e o Paulo (o catarro), ficava mais irritado e quando isto acontecia, todos saiam de perto, pois era descomunal a violência com que peidava o catarro, o cheiro era insuportável, parecia que estava podre aquele catarro. Peido para cá, buzina para lá e o ambiente ficava insuportável, era só poluição, até que o Paulo resolveu ajudar, desceu irritadíssimo do guinche, fedendo tudo o que podia e o motorista, desesperado, disse:
mas que cheiro é este? Será que estourou algum esgoto aqui por perto?
Deve ser – respondeu o Paulo, para sorte dele, naquele dia estavam saindo somente os surdos – mas vamos tirar este troço daqui de uma vez.
Deram uma empurradina e, enfim o carro pegou e depois de fazer alguns gestos obscenos para o catarro o homem foi embora, porém, quando o carro pegou o Paulo caiu de quatro no chão, o que fez com que suas calças rasgassem na bunda, deixando à mostra uma cueca de bolinhas vermelhas e todos da fila riam, o catarro, muito pelo contrário, praguejava, fazia gestos, ficou irado, o motorista mais próximo aconselhou:
se acalme moço, tenha fé que as coisas nem sempre são tão ruins e isto é muito pouco para o senhor ficar assim.
Daí o catarro não agüentou, botou para chorar e respondeu:
olha, meu. Este veado ter feito eu me irritar desta maneira, rasgar minhas calças e empurrar o carro, não é nada, pior é ele ter saído sem pagar.

Jorge Acunha
Publicado:10/1996 Jornal A Hora do Parque

Queridos Amigos

Gostaríamos que cada pessoa do mundo tivesse maturidade suficiente e sensibilidade permanente para saberem o que as autoridades fazem de nossas vidas, no entanto, isto é quase impossível de se conseguir, o que estamos pensando é que se alguns não têm nenhum estímulo para lutarem pelos seus direitos, pelo menos que saibam como procedem algumas atividades que agem contra estes direitos e que, por qualquer outro motivo ainda estejam dispostos a outro tipo de divertimento, livre de qualquer compromisso com partidos políticos ou atividades anti-políticos, tentaremos fazer algo que justifique o tempo que os leitores dedicam para tal, e que nossa pequena manifestação traga algum regozijo ou simplesmente algum tipo de afago a todos os problemas que nossas vidas nos trazem, para tanto, espero que vocês compreendam que nosso prazer é que haja felicidade em nosso relacionamento.

Obrigado

Jorge Acunha

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