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terça-feira, 15 de julho de 2008

Coisas Boas

Já dizia o grande roqueiro, Léo Jaime, que é jornalista por formação: “os melhores momentos do mundo não são manchetes de jornal” e de fato ele está extremamente certo, já que a maior parte das manchetes referem-se a perda, tanto em termos financeiros como em caráter de algumas autoridades, ou a crimes, por isto, vamos hoje então explorar o que de bom acontece e as vitórias que vamos obtendo através dos tempos.
Começaremos então pelo que conquistamos há muito, como não daria tempo para citar tudo, vamos nos ater a algumas coisas que mais se destacam. Um brasileiro inventou o avião, o meio de transporte mais importante de nossa época, é bem verdade que pouco tempo depois alguns outros transformaram em arma de guerra e invés de matarem alguns começaram a matar milhares, o que não era o objetivo do aparelho, sem dúvida. Agora, o céu está tão lotado de aeronaves que até mesmo enormes congestionamentos existem, quando os usuários gastam, em viagens curtas, mais tempo esperando para embarcar do que levaria o trajeto de automóvel.
Devemos também lembrar o automóvel, uma das maiores invenções depois da lâmpada e hoje em dia o conforto no interior deles faz com que muitos queiram estar em seu interior por horas, é bem verdade que agora morrem mais pessoas no trânsito que em muitas guerras e que nosso oxigênio, assim como a camada de ozônio, estão sendo sugados pela emissão de gases destes veículos, sem contar o avanço das motocicletas, das quais nem é preciso falar os males que estão causando.

O homem inventou então o telefone, meio de comunicação indispensável para todos, pois o que seria de nós se não existisse hoje o celular? É bem verdade que hoje em dia é utilizado em comunicação nos presídios, de onde eles conseguem até mesmo parar uma cidade como São Paulo, além de servir para tráfico e golpes de todos os tipos.

Com o passar do tempo veio o computador portátil e ninguém duvida que os benefícios para a humanidade foram e estão sendo até hoje, descomunais, com ele veio a internet, também fabulosa, quando podemos estar com qualquer pessoa em qualquer parte do mundo, além do acesso a qualquer tipo de informação em qualquer parte da terra, o que é fantástico, é bem verdade que são crescentes os golpes pela internet e a pornografia infantil, o que é uma lástima.

Conseguimos ainda sermos felizes com nosso esporte, com atletas fascinantes como Pelé, Guga, sem contar inúmeros outros do futebol, vôlei, entre outros, a Daiane, tão pequenininha mas a maior do mundo e agora o Pam é no Brasil, é bem verdade que nas administrações não dá para confiar já que coisas de outro mundo acontecem lá no Rio, inclusive com o governo federal enviando um bilhão somente este ano para a estrutura do evento, que possui obras faraônicas, sabe-se lá o que mais não vai surgir depois.

Com a invenção da urna eletrônica, mostramos ao mundo como uma eleição democrática pode ser feita com lisura e rapidez, sem aquele amontoado de gente contando votos de papel por dias, é bem verdade que o que eles fazem dos mandatos depois não convém falar.

As casas ficam cada vez mais confortáveis, no entanto, são necessários alarmes, grades e guardas de rua para cuidá-las, os automóveis seguem o mesmo padrão, blindados ou com vidros escuros, com os motoristas quase tendo um infarto quando alguém se aproxima da janela à noite.

Ainda temos que salientar que a única casa de loterias, a caixa, que se julgava acima de qualquer suspeita e o único jogo que não é de azar no país, vai para uma CPI, por suspeita de lavagem de dinheiro.

E as coisas boas?

Estão todas aí, o homem é que consegue fazer delas coisas ruins.

Jorge Acunha
Publicado em: Rádio Minuano: 03/03/2007

Tire da boca de seu filho e dê para o governo. Vale a Pena

Há pouco tempo, observamos estarrecidos as reportagens sobre escutas telefônicas em presídios que denunciam os mais diversos mercantilismos no interior das casas penais, desde drogas e armas até prostituição podem ser negociados livremente no interior dos presídios por via de telefone celular. Alguns dizem que isto é uma benéficie, já que alguns crimes são impedidos pela polícia quando detectados, entretanto, e os que não são? E os apenados que se valem dos telefones para falar livremente com qualquer pessoa sem deliberadamente falar em crimes. E mais, será que eles não sabem que os telefones podem ser monitorados?

Em outros tempos, vigiavam os apenados para que não fugissem, hoje já não é necessário, visto que, pelo que está se notando, nenhum mais pensa em fugir já que mesmo de dentro dos presídios eles controlam quadrilhas e até mesmo encomendam prostitutas para satisfazerem-se nas penitenciárias dos deleites da carne, já que os coitados também são filhos de Deus e exigem também seus direitos à diversão.

Não contentes somente com isto, planejam compras de veículos roubados, próximas ações das quadrilhas e encomendam as drogas que necessitam para traficar no meio, assim sendo, tanto o governo, responsável direto pelo cárcere, quanto os direitos humanos, poderão considerar-se satisfeitos com a recuperação das pessoas que cometem crimes, sejam elas réus primários, que na maior parte das vezes recebem penas alternativas, ou os rotulados como: estuprador fulano de tal, assaltante de bancos tal, ou homicida das quantas, entre outros que nem é bom citar pois levaria o dia inteiro, no entanto, nossas autoridades ainda acreditam que criminosos contumazes, desta natureza, mesmo que cometendo crimes diários quando em liberdade, merecem respeito, dedicação e gastos públicos fantásticos, já que podem se reintegrar à sociedade, sendo novamente cidadãos honestos, enquanto isto não acontece, o povo que se vire ou se tranque sob o auxílio de grades, alarmes e segurança particular, já que a pública está um caos.

Assim vamos vendo nosso sistema prisional merecendo mais atenção do que os cidadãos honestos, fazendo de nossas vidas um temor e o respeito sendo desmoralizado pelo poder público, enquanto gastam 200 mil reais em viagens com o Beira-mar e a polícia tem que poupar combustível, além de alguns deputados chegarem a gastar 10 mil reais em gasolina em um mês no qual estão de férias.

Querem mais paradoxos? Quase todos os deputados envolvidos com escândalos estarão de volta nas próximas eleições e quem falou alguma coisa de ruim contra eles, o que poderíamos até intitular verdades, poderão até serem processados. Enquanto o uso de celular em presídios dá somente uma repreensão, se um contribuinte não pagar o IPVA, o governo toma o veículo dele, ou seja, só quem é punido nesta democracia com cheiro de ditadura é o contribuinte, os delinqüentes fazem o que bem entendem, nas barbas de todos e nada acontece. Chegamos a um ponto de pensar que até mesmo os marginais têm mais direitos que o cidadão honesto, o qual só serve para sustentar corrupção, desmandos e um montão de mentiras que virão daqui a pouco nos horários eleitorais. Dizem que é louco quem rasga dinheiro, e quem paga impostos em dia o que é?


Jorge Acunha
publicado em: Rádio Minuano 22/07/2006

terça-feira, 8 de julho de 2008

Motoristas ou Terroristas?

Ao longo dos tempos o homem aproveitou muito bem sua capacidade de raciocínio e desenvolveu todo tipo de invenções possíveis, umas para conforto, outras nem tanto e muitas que matam, tanto no varejo como no atacado. Assim surgiu o automóvel e logo em seguida os políticos resolveram cobrar pela utilização deles nas ruas.
Assim, quem hoje em dia possui um veículo tem também um sócio, que é o governo, o qual toma seu quinhão ou então o veículo, como se dele fosse, mesmo que nada tenha feito para ajudar a pagar, ou seja, é um sócio proprietário que com nada contribui na aquisição do produto, no entanto tem todo o direito de gerenciar e de receber lucros, tanto na compra quanto no uso, é o melhor negócio do mundo, enquanto o povo se rala trabalhando para comprar e abastecer um veículo, o governo senta a bunda em uma cadeira e leva lucros, mas, isto nós já estamos acostumados e , em nome de nossa própria segurança o .gov nos cobra quinhões mais caros ainda, por exemplo, inventaram um tal kit de segurança, o qual muito poucos sabiam usar e o os que não sabiam tinham o direito de se acharem verdadeiros médicos do trânsito, mesmo assim, a multa era cobrada de quem não possuía o tal kit médico e, quando perceberam o “tiro no pé” que estavam dando, milhões de motorista já tinham comprado o tal kit e meia-dúzia enchido os bolsos. “Negócio da china” . Somente um “Serial Killer” que apareceu na praia do cassino há alguns anos é que encontrou uma utilidade para o kit, ele usava as luvas de borracha para ocultar suas digitais.
Sob o pretexto de segurança, também nos cobram se não tivermos extintor de incêndio em dia, o que também a maioria não sabe usar, mas recebe uma pseudo-autoridade de bombeiro, ou paga a multa. Tem ainda o pretexto do cinto de segurança, que é para a nossa segurança, mas se não quisermos, haveremos de pagar ao governo. Assim sendo, se a segurança fosse o primordial, ao entrarmos no mar, sem um colete salva-vidas, deveríamos ser multados, ou quem é que acha que dirigir sem cinto é menos seguro do que nadar no mar sem coletes salva-vidas, no entanto, é óbvio que multar pessoas é muito mais difícil que automóveis, ou motoristas meliantes, assim sendo, é melhor não “cutucar a onça com vara curta”.
Aí também entram outras coisas, como chave de roda e estepe, que se nós não tivermos, nos estrepamos duas vezes, uma se furar um pneu e outra que a multa também come.
O “ negócio da multa” é interessante mesmo, quanto mais cara é a multa, mais vezes é aplicada. Quer a prova? Antes da “Lei Seca” não apareciam tantos bêbados, com o valor obsceno da multa chovem bêbados no trânsito, uma lei contraditória e arrecadatória, já que ao invés de darem cadeia progressiva, tantos dias quanto for o consumo da “marvada“ pelo motorista, cobram uma fortuna de multa e outra de fiança e, o que tem dinheiro, mesmo que tenha consumido um alambique não passa uma só noite na cadeia, enquanto quem não tem, com uma latinha de cerveja pode passar dias vendo o sol nascer quadrado .
E, se existisse lei neste país que não rendesse algum dinheiro para o governo e vigorasse, as leis de trânsito seriam também cumpridas por pedestres, os quais fazem o que bem entendem, já que ninguém tem placa no rabo e, se forem atropelados, quem responde processo é o motorista, mesmo que tal pedestre esteja bêbado e o motorista sóbrio.
Definimos então, que nesta “democracia”, quase metade do que a gente ganha é pagamento para o governo que faz o que bem quer com o dinheiro, independente do que o povo precisa, somente usando hipocrisias como é o costume na colônia. Uma última pergunta: entrar no mar para nadar bêbado, dá cadeia?

Jorge Acunha

sábado, 5 de julho de 2008

O Consumismo da Violência

A cada dia estamos observando, pasmos, as direção que nossos irmãos vão tomando em suas vidas e os parâmetros que regem todo tipo de comportamento humano ou desumano, como em alguns casos que seria melhor se fossem esquecidos como o do médico que esquartejou a amante ou os pais que tentaram livrar-se dos filhos da maneira mais indigesta possível e, além disto, ainda tem em nosso próprio quintal, vizinha que mata por briga de criança, filho que mata, mãe que atira violentamente o filho no oceano entre muitos outros incidentes que custamos a acreditar possíveis.
Entretanto, se lamentamos por um lado, por outro o progresso alimenta o processo de anti-socialização mórbido ao qual a humanidade vem se submetendo. As redes de TV, na mais pura prova de ganância desenfreada, alimentam as mentes de nossas crianças tanto de cultura quanto de egoísmo e imoralidade.
Enquanto de um lado vemos pseudomúsicos tentando promover-se esfregando-se uns nos outros dentro de uma banheira atrás de um sabonete, de outro o líbido também é a bola da vez, com vários casais presos em uma casa e tendo que se submeter a todo tipo de humilhação do próprio corpo atrás de dinheiro e fama.
Infelizmente é muito difícil saber o que prevê o script de um programa destes, no entanto, é algo que aguça principalmente a curiosidade das crianças e adolescentes, que faz com que eles tenham a impressão tácita de que a vida é um eterno bacanal onde um para sobreviver tem que tirar o outro do caminho, expulsar do ambiente nefasto ao qual se submetem os participantes que, diga-se de passagem, parecem gostar, e como se fosse pouco, instigam os telespectadores (na maior parte adolescentes) a participar do escárnio e serem cúmplices no julgamento e condenação de algum participante a sair da festa e cada vez que acontece isto, mais um ser é corrompido quando compelido a submeter outro que ele nem conhece ao fim da infeliz jornada a qual se propôs, ou seja, nossas crianças também participam ferrando alguém em alguma coisa que nem sabem o que é.
Mas não seria hipocrisia dizer que o que se passa na tal casa não existe? Seria tanto quanto dizer que o que acontece nos motéis diariamente é mentira ou que não existe sexo entre papai e mamãe; entretanto, estas outras coisas até agora as pessoas normais ainda reservavam entre quatro paredes, pois é extremamente desnecessário mostrar para as crianças ou para os vizinhos ou amigos. Isto aguça a curiosidade e o que há bem pouco tempo era mostrado somente quando chegava a hora, hoje a TV promove para qualquer criança que fica em casa imaginando o que é que um bando de idiotas faz embaixo de um edredom depois de passar o dia todo se esfregando uns nos outros, É no mínimo imoral e contribui para a perda do tirocínio dos jovens, assim como para o egoísmo e, principalmente, para a violência contra o próximo. Transforma-os de tal forma que a vontade de ver alguém sair é muito maior do que a de ver alguém se dar bem, pois não existe a pergunta: quem quer que todos fiquem?
E para concluir, o Ministério da Saúde adverte: a propaganda de cigarros está proibida, menos neste tipo de programa.

Jorge Acunha
Publicado em: Jornal Agora 15/02/2003

quinta-feira, 3 de julho de 2008

O que é normal?

Desde que a humanidade começou a estudar a psicologia dos seres, uma das maiores curiosidades é sobre o que será o normal. Os maiores escritores do planeta debatem este tema constantemente e os brasileiros agora estão caminhando para a normalidade, no entanto, os outros países podem até ficar pasmos perante à esta tal normalidade.
Em São Paulo, a normalidade nestes tempos é a luta pelo poder entre o governo e o PCC, que insiste em mandar no estado, governando de dentro dos próprios presídios, sustentados pelo povo que eles eliminam, pelas empresas que eles queimam os ônibus, entre outras que assaltam, matam e fazem o que bem entendem.
Subindo mais um pouquinho chegamos à Brasília onde a normalidade são os golpes, por vezes pequenos, outros grandes, alguns milionários, mas não estamos aqui para discutir a proporção dos roubos, já que os rendimentos saem de nossos bolsos e para eles jamais voltarão, diga-se de passagem, esta normalidade também já é milionária, já que cada vez que surge um escândalo, fala-se em milhares de reais como se fossem trocados.
Lá também tem a normalidade da campanha. Começa a campanha política, pára tudo, nossas autoridades, as quais os militares devem continência e o povo gostaria de ver atrás das grades, que pouco já estavam fazendo, em tempos de campanha dedicam-se gentilmente a não ir mais ao congresso sob este argumento e o pior é que ainda dizem que trabalham muito.
Têm também a normalidade das CPI’S. Todo dia surge uma nova e a normalidade delas é não punir, além de denunciar muitos para mais desgosto ainda dos contribuintes, que ficam perplexos quando vêem estes muitos serem inocentados sob danças, entre outras comemorações que nem convêm mencionar.
Sob os auspícios deles está o país, e a maior parte das coisas que acontece em nossas vidas, como o que vale o nosso dinheiro, tão suado e tão escasso, do qual quase a metade vai para sustentar toda esta corrupção e uma máquina pública que já provou ser cada vez mais inócua para o povo.
Mas vamos subir mais e lembrar da normalidade de Rondônia, onde, ultimamente é prender autoridades corruptas, parece que alguém acordou por lá e, aproveitando o momento, resolveu colocar o lixo para fora, sabe-se lá por quê e em breve a corrupção também vai ser normal, quando se pensa que se um tem o direito de roubar, os outros também.
Assim temos a normalidade também de pagar para andar nas estradas, a de ver hospitais pedindo ajuda financeira para o povo, enquanto o estado é que deveria suprir estas necessidades, a normalidade de se esperar meses por atendimento médico especializado, a normalidade de ver os preços subir mesmo que os salários não subam, a normalidade da violência, de não sair à noite para não ter o carro roubado ou a própria integridade física atingida, além da normalidade de câmeras que irão nos monitorar 24 horas por dia, a normalidade do governo ser dono do trânsito e dos veículos que nele trafegam se não lhe pagarem para isto, além da normalidade de termos nossos veículos literalmente destruídos pelos buracos das ruas e estradas e ainda corrermos o risco de sermos multados por isto, a normalidade de vermos a segurança pública poupando gasolina enquanto os deputados gastam milhares de reais com locomoção própria, até mesmo nas férias e a normalidade dos pobres serem presos e os ricos ficarem impunes, mesmo que roubem milhões.Assim somos obrigados a citar um adágio popular que diz: “o hábito do cachimbo é que deixa a boca torta”, lembrando que se formos considerar nossa normalidade, chega a ser bizarra nossa atual sobrevivência diante de tudo que acontece em nosso cotidiano e que nossas próprias autoridades é que estão dando exemplo de criminalidade e impunidade.

Jorge Acunha
Publicado em: Rádio Minuano 12/08/2006

E os outros?

Neste mundo tão corrido algumas coisas vão passando despercebidas e pouco sabemos sobre o destino delas. Salientamos então que nosso cotidiano vem sendo afetado enquanto vamos acatando e sendo vítimas de uma nova era a qual, paulatinamente, vem impondo novas maneiras de convivência entre os seres humanos que logo após vão se dando conta de tudo que vão perdendo.
Perdemos então, a elegância, que dia a dia vai se esvaindo, se escondendo sabe-se lá onde e as relações vão ficando mais rígidas, mais objetivas, é bem verdade, e o corre-corre atrás da sobrevivência desfigura as pessoas, faz com que tudo o que deveríamos estar passando para nossas futuras gerações em termos de elegância seja relegado a um segundo, ou terceiro plano até e nossos jovens vão perdendo cada vez mais uma convivência saudável para logo mais lamentarem por tudo o que perderam.
Em outros tempos, até mesmo os marginais eram mais elegantes, ladrões, assaltantes, e muitos outros proporcionavam para a vítima um certo conforto quando era abordada. Hoje em dia eles primeiro atiram para depois avisar que trata-se de um crime.
Se formos analisar de onde vem saindo tudo isto, podemos nos qualificar como os maiores precursores de tudo isto, quando vemos a ética profissional e política ser deliberadamente enterrada, ou simplesmente corroída e ficamos pasmos perante a tudo o que acontece, a todos os exemplos que nossos jovens admiram de nossos líderes, das autoridades da nação.
Escândalos vão acontecendo dia após dia sem que os verdadeiros culpados sejam punidos e em nosso entorno as coisas vão cheirando mal, o exemplo é cada vez mais nefasto, assim cruzamos os braços e vamos tratando de nossas vidas, aceitando todas estas intempéries até que seja a normalidade das coisas, até que o bizarro seja o certo, o que convém a nossa sociedade detentora do poder econômico nos transforme em verdadeiros acéfalos ou irracionais que pouco fazem para a melhor convivência entre os seres que se julgam racionais.
Estamos em um momento que povos atacam povos impunemente, até mesmo por motivos religiosos, a marginália ataca a polícia, que sabe até mesmo que está dentro dos próprios presídios o comando, que tem até nome, como se fosse partido político, que políticos compram votos de outros para aprovar ou rejeitar leis, que temos um congresso de bonecos, que mesmo que votem em algo que o governo não gostou ele veta e pronto.
Estamos chegando a um ponto que a normalidade é uma coisa bem oposta à ética à elegância e ao convívio social adequado à qualquer povo, onde até mesmo a sensualidade deu adeus à nossas vidas e o sexo se transformou em uma coisa banal. Até mesmo os homens que em outros tempos sofriam para ver uma simples canela, hoje correm da igualdade que as mulheres sempre procuraram.
Será que voltaremos a sermos civilizados algum dia?
Jorge Acunha
Publicado em: Rádio Minuano 05/08/2006

terça-feira, 24 de junho de 2008

Prioridades

Pois há muito se admite que o problema da lei está no poder da autoridade da esquina e, cada vez mais, somos testemunhas de que estamos sujeitos a todos os tipos de autoridades organizando nossas vidas, seja no trânsito, em nossa conduta social ou em um plano muito maior em nossas vidas que é o plano ambiental.
Com o transbordamento da paciência dos executivos estadual e federal com órgãos como o IBAMA e a FEPAM, percebemos o que está sendo feito com nosso dinheiro nestes órgãos, já que nem o chefe agüenta a arrogância dos funcionários, mas isto é comum no serviço público estatutário e neste ponto é que podemos analisar a terceirização, os contratos temporários e os cargos comissionados como um avanço do sistema legal de admissão de funcionários.
Enquanto o governo manda somente nestes, já que os outros são amparados pela legislação, eles têm que andar na linha, senão o trem pega, como estamos vendo, no entanto, nem todos têm a obrigação de seguir ordens, somente alguns que não possuem uma tal estabilidade, a qual impede que sejam demitidos.
Lembramos então do período da ditadura militar, do regime que seguem os militares e aí perguntamos: não seria melhor para os nossos bolsos e para o desenvolvimento do país a ditadura militar, já que o governo civil admite que não consegue conter certos ímpetos de determinadas autoridades? Seja, ou não, podemos afirmar que em qualquer regime militar isto não acontece.
Enquanto uma empresa privada oferece projetos para alguma coisa, eles levam anos analisando, como se a empresa que ofereceu o projeto merecesse tal tipo de atitude, sem calcular o quanto estas empresas pagam de impostos para obter o resultado, isto quando não é negativo, visto que o sapinho tal, ou a mosquinha tal, ou o passarinho tal podem ser prejudicados em sua evolução.
Aí devemos pensar que nos casos, os quais estão ocorrendo a morte de toneladas de peixes, em vários pontos do país, estas estatais não estão sendo indicadas como negligentes no que diz respeito à fiscalização, que, sem dúvida nenhuma é falha, como temos a prova cabal.
Em alguns lugares, isto se chama “pregar moral de cuecas”, já que enquanto a natureza é arrasada por falta de fiscalização, empresas são punidas por incompetência das mesmas autoridades.
Ambos órgãos já estão sendo vistos como uma espécie de vestibular para as indústrias, que serve para eliminar e não para administrar e mostrar os erros em tempo hábil para que se instalem sem os prejuízos faraônicos que sofrem por conta de uma pseudo fiscalização que é inexistente.
Então fica muito mais fácil cancelar um projeto do que ter que fiscalizá-lo depois, o que é muito mais simples e não dá trabalho, talvez até mesmo um lema dos servidores.Mas e o meio ambiente? Como é que fica em tudo isto? Que tem que ser observado, tem, no entanto, parece que, para esta classe ainda perceber que o dinheiro que os sustenta vêm deste povo que está sendo prejudicado diariamente, falta humildade ou vontade de trabalhar mesmo.

Jorge Acunha
Publicado em: Rádio Minuano 05/05/2007

O que será de nossos descendentes?

Parece que o homem quanto mais vive, menos aprende a apreciar tudo o que constrói e quando iria desfrutar do próprio conforto, por um motivo ou outro, sejam pessoais, ou simplesmente ganância, vai modificando tudo e, em alguns casos estas mentes transformam toda nossa convivência, absurdamente, mesmo que isto também custe a liberdade ou convivência deles.
Não é de hoje que isto acontece. Desde que o homem inventou a pólvora, transformou-se em mais uma maneira de matar seu semelhante, inventou o avião e daí mais uma arma de guerra que mata em massa, inventou o telefone e agora os golpes se multiplicam cada vez mais, até mesmo de dentro dos presídios, inventou a TV e logo em seguida conseguiu banalizar com pornografia, inventou a política e logo em seguida várias formas de usá-la para roubar, inventou um conjunto de leis no qual os ricos e políticos sempre encontram uma forma de burlar, inventou a elegância e como não ensinou a seus filhos, hoje chamam as mulheres de cachorras, e o pior, elas gostam, inventou a biologia e com ela a guerra bacteriológica, que cria vírus novos todos os dias, inclusive alguns que até hoje não têm cura.
Logo depois o homem inventou o computador, criação magnífica, diga-se de passagem, com ele veio o advento da internet e, como os jovens têm acesso livre, são as principais vítimas, tanto de pornografia infantil quanto de aliciamento para racismos e preconceitos, dos quais eles não fazem a menor idéia por que compartilham. Além disto, ainda têm alguns infelizes que levam alguns milhares de horas criando vírus, futilmente, sabe-se lá por qual motivo, vai ver eles não viram nenhuma virtude na mãe ou no pai.
Parece que estamos fadados a suportar coisas de alguns que fazem milhões sofrerem, assim como nos dizemos racionais, somos capazes de nos matarmos uns aos outros até mesmo por motivos fúteis, coisa que os irracionais não fazem, como este mesmo homem descobriu que podia falar, resolve também falar mal dos outros, mesmo sem ter por que, fica com inveja de seus irmãos mesmo que seja por uma bala que este tenha ganho, confunde, pilha, briga, trata outros com arrogância e prepotência mesmo sem motivo. Mesmo assim, muitos ainda sabem o caminho da generosidade e do apreço por seus irmãos e, sem dúvida nenhuma, estes vivem mais e mais felizes.
As coisas que devem ser elucidadas, como muitas caixas pretas que vemos por aí, dão espaço para outras que não nos levam a nada, somente para os que estão envolvidos com falcatruas, que aproveitam para incentivar estas outras e sumirem.
Até quando o mundo irá suportar este tipo de gente que faz guerras, intrigas, leva à morte milhões de pessoas por ambição, ensina isto para seus filhos e nada acontece com eles, os prejudicados sempre são os mais fracos?
Até quando nossas sociedades serão submissas ao poder econômico, mesmo que tenham que ver milhares sofrerem ou passarem fome e ficar de boca calada?
Não estará no momento de repensarmos o que de fato queremos para nossas próximas gerações?

Jorge Acunha
Publicado em: Rádio Minuano 02/09/2006

Nossos Valores

Estamos vivendo em um mundo de fisiculturismo, isto não é nenhuma novidade, no entanto, sabemos também que algumas partes de nossos corpos não respondem como gostaríamos a este tipo de tratamento, como o rosto e o cérebro que em rugas e QI ninguém resolve em academia.Milhares de pessoas vão então para academias, fazem ginástica por horas a fio e logo após saem de lá cisudas, rancorosas, amargas ou com inveja de outras o que faz com que tudo o que conseguiram suando, reflita amargamente em seus rostos, já todos sabem que o melhor exercício para o rosto é o sorriso, o qual só faz bem para a pele.Aí entra o caso do cérebro, já que muitos também colocam todos os seus esforços para tratar do corpo e nem um pequeno gibi lêem e, enquanto crescem os músculos, diminuem suas capacidades de raciocinar.Aí, no caso do rosto, ainda existem muitas alternativas, obviamente caras e dolorosas, no entanto muitos ainda se submetem seja este de que forma for, alguns até mesmo correndo risco de jamais se reabilitarem e ficam mais feios do que antes do tratamento, estes quando poupam no valor, ou por não ter mesmo condições financeiras para arcar com despesas que seriam necessárias para algo de qualidade. Como evitar então o envelhecimento do rosto? Não há forma, todos envelhecem, no entanto, existe um jeito de ter um melhor futuro para ele, sorria, é a única maneira de ter a pele cada vez mais bonita.Ficamos assim por conta de outro órgão, muito mais importante, tão importante que define nosso atestado de óbito, que é o cérebro, seja ele grande ou pequeno, capaz ou incapaz, ninguém pode chamar de bonito, tanto que todos preferem dizer que as emoções vem do coração e não de uma coisa tão feia e cinzenta.O fato é que somente o amadurecimento nos mostra a realidade das coisas e então só lá é que vamos saber que não seremos mais agradáveis por estarmos com nossos corpos mais sarados, como é palavra da moda. Enquanto alguns ainda sonham com o corpo perfeito, esquecem dos relacionamentos interpessoais ou de que ser gente não é somente tratar de si mesmo, mas também de seus semelhantes, senão ficamos obtusos ou simplesmente trancados em um buraco fundo sozinhos, olhando em um espelho o que conseguimos pois ninguém gostará de nos elogiar.Ficamos pasmos ao perceber que nossos jovens querem criar um mundo BBB próprio, no qual só pode entrar quem tem um corpo bonito, mesmo com pensamento limitado e que a eleição deles não é para produzir algo e sim para expulsar alguém deste mundo. Como será o mundo daqui a vinte anos se pegar esta moda?
Jorge Acunha
Publicado em: Rádio Minuano 03/02/2007

domingo, 22 de junho de 2008

AVAREZA

Depois que privatizaram as estradas, surgiram os pedágios, bem feitos, arquitetura pós-moderna, banheiros e tudo, e com eles uma série de empregos, pois, exemplarmente, trabalham 24 horas por dia, entretanto, como todos temos direito a descanso, os funcionários só trabalham 12 e com ótimo salário, dizem que passa de cento e oitenta reais, mais um pouco já daria para a cesta básica, me relatava um amigo que lá trabalhava, o Paulo, sujeito incrível aquele, possuía um apelido que muito lhe vinha a calhar, por certo não gostava, achava-se humilhado quando o chamavam de catarro, daí ele brigava, "partia para o pau", mas aquelas banhas caídas, aquele tremendo barrigão e aquela maneira de falar cuspindo todo mundo espelhavam o pseudônimo. Até que ele não parecia aquele muco grosso e seco de fumante pela manhã, aquele que parece um pudim, parecia mais aquele de gripe no final, aguado, com mais saliva que massa. Só que o homem se estourava mesmo, uma vez estava em um boteco, escorado no balcão arrumando o cabelo, porque ele usava aquele rabinho de cavalo, preso por uma borrachinha, o pessoal falava que não sabia como é que a borracha prendia naquele óleo todo, mas entrou no boteco um conhecido dele e gritou:
E daí, catarro, tudo bem?
Ele procurou mostrar ao amigo que não gostava de assim ser chamado:
Catarro é a p. q. p.
O homem não gostou e travaram um combate corpo a corpo. Da briga o catarro (perdão, Paulo), passou uma semana com o olho roxo e a perna enfaixada, dizem que depois deste incidente ele ficou mais calmo.
Mas o ca..., Paulo não gostava de fazer exercício sob hipótese alguma, passava o dia inteiro com aquele bundão, que mais parecia um balão de São João meio murcho, colado na cadeira e não levantava nem para arrumar troco, mandava pegar na volta, os que não pegavam, ele embolsava. Uma vez um cunhado dele, o qual ele visitava todo Domingo para almoçar, deu-lhe cinco reais para descontar um, ele disse que não tinha troco e ficou com os cinco. Outro dia parou um fusquinha, destes que andam por aí se arrastando, e ele não tinha troco mesmo, fazendo com que o motorista descesse do carro para arrumar no guinche. Nisto, o carro apagou, o motorista voltou correndo e disse, desiludido:
hiii, não tem bateria, vai ter que empurrar.
Como uma enorme fila começava a se formar atrás e o Paulo já estava meio nervoso, disse ao homem, com muita calma:
Ô, meu, tira esta porcaria daí!
Opa, porcaria não – interpelou o homem.
Tá bom – acalmou-se o Paulo afim de evitar tumulto - mas tira este veículo daí, por favor.
Então vem aqui e me ajuda – disse o motorista.
Não posso – disse o catarro – o médico me proibiu de fazer força.
E como a fila aumentava, alguns já buzinavam, o homem resolveu empurrar sozinho o carro, em vão, a força não foi suficiente, o motorista que vinha atrás fingia não ver e o Paulo (o catarro), ficava mais irritado e quando isto acontecia, todos saiam de perto, pois era descomunal a violência com que peidava o catarro, o cheiro era insuportável, parecia que estava podre aquele catarro. Peido para cá, buzina para lá e o ambiente ficava insuportável, era só poluição, até que o Paulo resolveu ajudar, desceu irritadíssimo do guinche, fedendo tudo o que podia e o motorista, desesperado, disse:
mas que cheiro é este? Será que estourou algum esgoto aqui por perto?
Deve ser – respondeu o Paulo, para sorte dele, naquele dia estavam saindo somente os surdos – mas vamos tirar este troço daqui de uma vez.
Deram uma empurradina e, enfim o carro pegou e depois de fazer alguns gestos obscenos para o catarro o homem foi embora, porém, quando o carro pegou o Paulo caiu de quatro no chão, o que fez com que suas calças rasgassem na bunda, deixando à mostra uma cueca de bolinhas vermelhas e todos da fila riam, o catarro, muito pelo contrário, praguejava, fazia gestos, ficou irado, o motorista mais próximo aconselhou:
se acalme moço, tenha fé que as coisas nem sempre são tão ruins e isto é muito pouco para o senhor ficar assim.
Daí o catarro não agüentou, botou para chorar e respondeu:
olha, meu. Este veado ter feito eu me irritar desta maneira, rasgar minhas calças e empurrar o carro, não é nada, pior é ele ter saído sem pagar.

Jorge Acunha
Publicado:10/1996 Jornal A Hora do Parque

Queridos Amigos

Gostaríamos que cada pessoa do mundo tivesse maturidade suficiente e sensibilidade permanente para saberem o que as autoridades fazem de nossas vidas, no entanto, isto é quase impossível de se conseguir, o que estamos pensando é que se alguns não têm nenhum estímulo para lutarem pelos seus direitos, pelo menos que saibam como procedem algumas atividades que agem contra estes direitos e que, por qualquer outro motivo ainda estejam dispostos a outro tipo de divertimento, livre de qualquer compromisso com partidos políticos ou atividades anti-políticos, tentaremos fazer algo que justifique o tempo que os leitores dedicam para tal, e que nossa pequena manifestação traga algum regozijo ou simplesmente algum tipo de afago a todos os problemas que nossas vidas nos trazem, para tanto, espero que vocês compreendam que nosso prazer é que haja felicidade em nosso relacionamento.

Obrigado

Jorge Acunha

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